Entenda o reflexo da Selic nos investimentos com a nova taxa de 10,75%

O mercado já estuda o reflexo da Selic nos investimentos com anúncio de novo aumento feito pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta última quarta-feira (16), onde o reajuste de 1% passou a taxa Selic para o patamar de 11,75% ao ano. 

A partir dos resultados divulgados na última reunião do comitê, a expectativa do mercado era de que o aumento da tarifa fosse um dos últimos. No entanto, o cenário internacional, de conflitos entre Rússia e Ucrânia, pode fazer com que sejam feitas novas elevações nos próximos meses.

A taxa definida pelo Copom serve como instrumento para questões da inflação. Quando os preços apresentam uma subida acelerada, o Banco Central aumenta os juros, o que encarece o crédito e desestimula o consumo, levando a um alívio nas altas.

No entanto, o novo reajuste também pode impactar o mercado de investimentos. Confira alguns dos principais reflexos que essa alteração pode trazer ao mercado.

Produtos de renda fixa se tornam mais atrativos

Nesse contexto, o reflexo da Selic nos investimentos de renda fixa é positivo, uma vez que a taxa chama a atenção dos investidores com a valorização de títulos atrelados à ela.

A indicação são fundos simples atrelados à Selic, cuja alta reflete positivamente nos rendimentos. O Tesouro Direto e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rendimento a partir de 100% do CDI são as melhores indicações de renda fixa.

Isso porque eles oferecem, atualmente, uma rentabilidade real, ou seja, acima da inflação.

Contudo, é importante se atentar para o período de aplicação escolhido. Embora a tarifa esteja favorável no momento, a volatilidade do mercado pode fazer com que a Selic apresente quedas nos próximos meses. Por esse motivo, o ideal é não investir em papéis com mais de 3 anos. 

Além disso, produtos de renda fixa com liquidez diária, ou seja, que proporcionam resgate a qualquer momento, contam com menos juros, mas podem ser uma alternativa mais segura para a volatilidade do mercado.

Para investidores que optam por abrir mão da liquidez, um dos produtos mais atrativos são os CDBs emitidos por bancos médios e pequenos, que podem oferecer rendimentos acima de 115% do CDI, por exemplo. Porém, é recomendável não deixar o dinheiro nesses títulos por mais de 1 ano.

Reflexo da Selic nos investimentos de renda variável

Ainda, a alta da Selic também apresenta reflexos indiretos nos produtos de renda variável. 

Isso porque os investidores passam a focar nos papéis de renda fixa, especialmente atrelados à tarifa, por conta da rentabilidade positiva que apresenta no momento.

Com isso, as movimentações na bolsa de valores podem diminuir, o que provoca uma queda no valor das ações.

Além disso, o aumento dos juros também provoca uma maior demanda por reais, de modo que outras moedas, como o dólar, tendem a ficar mais baratas. Isso provoca uma diminuição na pressão do câmbio e da inflação como um todo, uma vez que diversos produtos são dolarizados.

Dessa forma, embora os produtos de renda fixa aparentam ser mais vantajosos, ativos de renda variável, especialmente relacionados ao dólar, também podem ficar mais baratos.

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